“Deus é tudo e faz tudo. Sem Ele, nada tem o ser.”
Madre Joana de Jesus
Há 100 anos presente no Brasil, a nossa Congregação, Irmãs Franciscanas Penitentes Recoletinas, é presença de simplicidade, amor e construção de conhecimento e valores. Foi com esse propósito que as seis primeiras irmãs holandesas chegaram a Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, em 23 de abril de 1926. Partiram de sua terra natal, deixando todo o conforto do mundo europeu, com o objetivo de trabalhar na educação e contribuir para a formação das jovens do Vale, marcado por grande carência de conhecimento, onde a educação formal era privilégio apenas das grandes cidades.
A Igreja local, atenta às necessidades do seu tempo e do seu povo, sempre valorizou a capacidade e a cultura dos seus fiéis e, portanto, olhou além do presente. A sabedoria de seu pastor, Dom José de Haas, que acreditava no seu povo e estava certo de que todo desenvolvimento parte de uma educação de qualidade e integral, levou-o a investir na educação e na formação de valores. Para esse objetivo, convidou as irmãs para sua diocese e, assim, nasceu o Colégio Nazareth, com sua bela estrutura, competência, respeito e rigor – exigências necessárias para aquele tempo.
As irmãs não mediram sacrifícios nem esforços para atender ao apelo dessa missão e se lançaram em uma longa viagem: meses de navio, depois trem e, por fim, a cavalo, até chegar a Araçuaí. Os desafios da própria viagem já foram o prenúncio da realidade árdua da missão que enfrentariam junto àquele povo pobre, simples, sedento de conhecimento e de evangelização. Ainda assim, a missão logo se concretizou: em menos de 40 dias, as irmãs já estavam em sala de aula e, ao mesmo tempo, construindo os espaços físicos para a ampliação da escola.
Os anos se passaram, a escola se consolidou, e a missão foi ampliada com a fundação de mais um colégio em Teófilo Otoni, além de uma obra social em Araçuaí para atender crianças, adolescentes e idosos. Novas casas foram abertas em outros lugares, como Belo Horizonte, Barroso e Goiás, ultrapassando os limites do estado e diversificando a missão para o atendimento à saúde e à evangelização. As vocações surgiam nos próprios locais de missão e nos colégios, muitos deles com regime de internato. As jovens vinham não apenas para se tornarem professoras, mas também religiosas, encantadas pelo testemunho e pela missão das irmãs. Assim, a Congregação crescia e se consolidava em terras brasileiras.
A Igreja local, atenta às necessidades do seu tempo e do seu povo, sempre valorizou a capacidade e a cultura dos seus fiéis e, portanto, olhou além do presente. A sabedoria de seu pastor, Dom José de Haas, que acreditava no seu povo e estava certo de que todo desenvolvimento parte de uma educação de qualidade e integral, levou-o a investir na educação e na formação de valores. Para esse objetivo, convidou as irmãs para sua diocese e, assim, nasceu o Colégio Nazareth, com sua bela estrutura, competência, respeito e rigor – exigências necessárias para aquele tempo.
Esse legado continua vivo no Vale do Jequitinhonha, especialmente em Araçuaí. O que seria daquele povo sem a presença da Igreja, sem sua assistência social, sem seu apoio na formação profissional, na fé popular e na valorização de sua rica cultura? Quem é do Vale, ou já teve a oportunidade de conhecê-lo, sabe que sua resistência nasce dessa base sólida de valores evangélicos, construída por missionários e missionárias que nos precederam no caminho.
Irmãos e irmãs, roguemos a essas pioneiras que, do céu, olhem com carinho pelos caminhos da Igreja e da nossa Congregação, e que, por sua intercessão, surjam novas seguidoras do Mestre, dispostas a levar adiante a mensagem do Evangelho.
Que, neste centenário, nosso coração se aqueça em gratidão e reconhecimento pelo testemunho da Igreja, na pessoa de Dom José de Haas, e pela fidelidade, amor e coragem de nossas irmãs Amália, Aquilina, Angélica, Boavida, Beatriz e Guilhermina.
Vocês continuarão sendo, para nós hoje, estrelas de esperança, quando as trevas dos desafios e das dificuldades insistirem em ofuscar o legado da missão e do testemunho do Evangelho.
Gratidão e esperança: pilares que nos sustentam no caminho da fé!
TEXTO DE: Ir. Romilda Pereira da Silva
2023 – É o marco de celebração do Ano Jubilar de 400 anos de Fundação da Congregação. É tempo de memória, graça e de júbilo. Tempo que nos leva a conhecer mais profundamente a nossa raiz, nossa história, com seus pontos altos e baixos, com o ideal de continuar nossa missão bebendo da fonte inesgotável de Jesus Cristo, São Francisco e Madre Joana de Jesus nos dias de hoje, num espírito de sinodalidade numa Igreja em saída.

A Congregação das Irmãs Franciscanas Penitentes Recoletinas foi fundada na Bélgica em Limbourg, no dia 21 de setembro de 1623 por Madre Joana de Jesus.
Viver em profundo espírito de contemplação, penitência e recolhimento, permanecendo atentas aos apelos da realidade por meio dos constantes pedidos de oração.
Esse modo de vida monástica permaneceu por muitos e muitos anos. Contudo, em razão de interferências externas, como as guerras e as revoluções — mais precisamente a Revolução Francesa —, as Irmãs foram forçadas a mudar seu itinerário. Refugiaram-se na Holanda, conservando o estilo de vida contemplativo. Entretanto, diante das urgências e necessidades da época, tornou-se necessário unir a ação à contemplação, assemelhando-se ao modo de ser de Marta e Maria, tornando-se, assim, uma Congregação de vida contemplativa e ativa ao mesmo tempo.
“A contemplação que dá à ação uma participação em seu brilho.”
Pelo fato de ter fixado residência em Oirschot, na Holanda, acrescentou-se ao nome da Congregação a designação de Oirschot, passando a denominar-se Irmãs Franciscanas Penitentes Recoletinas de Oirschot.
“As pessoas que se consagram a Deus na Igreja são homens e mulheres que, desde os primórdios do cristianismo, são chamados a viver radicalmente os conselhos evangélicos. Pela profissão dos votos de castidade, pobreza e obediência, entregam-se inteiramente a Deus e dedicam suas vidas ao serviço da Igreja e da humanidade.”
Também as nossas Irmãs, ao longo de sua história, sempre viveram esse mesmo espírito de doação e serviço. Mesmo quando levavam uma vida estritamente contemplativa, permaneciam sensíveis às necessidades da Igreja e do povo de Deus, oferecendo-se generosamente por meio da oração, da penitência e do recolhimento. Mais tarde, impulsionadas pelas exigências dos tempos e fiéis ao carisma recebido, uniram a ação à contemplação, ampliando sua missão de servir a Deus e aos irmãos.
Diante do insistente apelo de Dom Serafim Gomes Jardim, bispo diocesano, e de Dom José de Haas, Vigário-Geral, para que fossem enviadas Irmãs ao Vale do Jequitinhonha, em Araçuaí, Minas Gerais, a fim de se dedicarem à obra educativa, a Congregação, fiel ao seu espírito de disponibilidade e serviço, prontamente acolheu o chamado da Igreja. Assim, enviou seis fervorosas missionárias que, movidas pelo zelo apostólico e pelo amor ao próximo, prestaram inestimável contribuição à formação humana e cristã da juventude, dando início ao Colégio Nazareth, considerado por todas as Irmãs como a Casa-Mãe da Congregação no Brasil.
Com o decorrer dos anos, e em sintonia com o renovado impulso eclesial suscitado pelo Concílio Vaticano II, a missão das Irmãs foi progressivamente ampliada. À obra educacional somaram-se novos campos de apostolado, especialmente nas áreas da saúde, da assistência social, da evangelização e da pastoral social, alcançando diversas regiões do país. O ardor missionário, característico do carisma congregacional, levou ainda as Irmãs além das fronteiras brasileiras, proporcionando duas experiências missionárias em Moçambique, na África, onde puderam testemunhar, com simplicidade e espírito franciscano, a presença misericordiosa de Deus junto aos mais necessitados.
Viver a vocação de Irmã Franciscana Penitente Recoletina é responder, a cada dia, com coragem, alegria e fidelidade ao chamado de seguir Jesus Cristo, cultivando um espírito de contemplação, penitência e confiança diante dos desafios do mundo atual. É tornar-se presença fraterna e misericordiosa na vida das pessoas, especialmente das mulheres em situação de vulnerabilidade, testemunhando o amor de Deus, promovendo sua dignidade e ajudando-as a redescobrir o sentido, a esperança e a plenitude da vida.