A congregação

História da Congregação das Irmãs Franciscanas Penitentes Recoletinas de Oirschot

Fundadora (História)

Fundadora: Jeanne Baptiste de Neerinck

“A oração é a escola do amor e da generosidade.
Só como Recoletina se poderá ser Penitente

Infância… Família

Jeanne Baptiste de Neerinck nasceu no dia 03 de agosto de 1576, em Gand, na Bélgica. Sua família era próspera. O pai era coletor geral da cidade, católico fervoroso, muito honesto. A mãe soube formá-la para a santidade.  Jeanne (Joana) era rica, mas desde criança era despendida das riquezas. Elas serviam apenas para aliviar os pobres, tinha uma compaixão tocante pelos que sofriam. Sua ocupação de cada dia era tornar-se uma providência para os infelizes. Desde a infância, a piedade e a pureza de Joana distinguiam-na dos outros. Jesus lhe aparece durante sua primeira comunhão e lhe pede que o despose.

Aspiração… Juventude

Era uma jovem linda, distinta, cheia de doçura e de uma alegria incontida, de uma pureza angelical. Como jovem, aspirava à vida religiosa, mas perdeu seus pais muito cedo. Órfã, dedicou-se aos cuidados do irmãozinho, adiou a realização do seu sonho. Já que não podia entrar para o convento, faria o bem no seu estado presente. Cultivava o espírito de oração tanto em casa, em seu quarto, quanto nas Igrejas, que gostava frequentar. O Tabernáculo a atraia, era a presença sensível do Amado que a levava a passar horas em profunda contemplação. Já se havia aguçado no coração daquela jovem o desejo de se tornar religiosa. Este ideal crescia, mas crescia também a dúvida quanto à Ordem, a qual escolheria?

Passos… Concretização

A Irmã Joana ingressou no Convento das Irmãs Cinzentas. Depois de alguns anos, percebendo que a vida religiosa ali não atendia ao seu desejo de uma vida verdadeiramente recolhida e contemplativa. Pois, o que mais desejava era ser livre de tudo e de todos para consagrar-se inteira e unicamente a Deus, sem reserva. Saiu daquele convento com mais quatro religiosas fervorosas, sob a orientação e acompanhamento do Frei Pedro Marchant (Franciscano Recoleto) e fundou na cidade de Limburgo, na Bélgica, no dia 21 de setembro de 1623, um novo mosteiro religioso.

O Padre Marchant celebrou a primeira missa, estabeleceu a clausura e, contra a vontade de Irmã Joana de Neerinck, que desejava ser sempre a última de todas as Irmãs, instituiu-a como fundadora e superiora da nova Ordem das Irmãs Penitentes Recoletinas com o nome de Madre Joana de Jesus.

Uma Ordem contemplativa, onde a clausura não apenas protegia do mundo, mas também, tornava-se um elo de comunhão entre o divino e o terreno. As Irmãs tinham certeza de que o mundo precisava delas, de sua oração e contemplação, como outrora Deus precisou de Maria para encarnar-se. O convento de Limburgo era, de verdade, um modelo de vida contemplativa e de disciplina religiosa, irradiando ao seu redor, o inebriante perfume de santidade ou da “Paz e Bem”, como gostava de proclamar São Francisco de Assis.

Identidade… Nome

Desde criança Joana de Neerinck teve profunda estima e admiração por viver recolhida, em oração e contemplação. Antes de entrar para convento em Gand, teve a aparição misteriosa de um franciscano. Pressentiu que Deus a chamava para seguir Jesus Cristo segundo o espírito de São Francisco. A partir daí, decidiu ser Franciscana. Aos poucos foi descobrindo que na origem da conversão de Francisco e de toda a sua caminhada está a Paixão de Jesus Cristo pelo Pai do céu e pelos homens, seus filhos muito queridos. A Paixão de Cristo: amar Aquele que muito nos ama e amar aqueles pelos quais Ele deu toda a sua vida, até a morte de Cruz.

Aos poucos foi descobrindo também, que nisso estava o sentido da penitência evangélica, descoberta por Francisco. Ou seja, segundo Francisco, a penitência evangélica consiste em amar ao Senhor, ao próximo e a si mesmo, de todo coração, de toda a mente e com todas as forças (1 CF). Ela foi compreendendo, paulatinamente, que a essência da penitência evangélica, segundo Francisco, não é outra coisa senão dispor-se a percorrer o jubiloso caminho de retorno do filho pródigo para sua origem, o paraíso perdido, a casa do Pai do céu, inaugurado e sustentado pela Paixão do Filho do Homem, Jesus Cristo, pobre e crucificado. Daí o acréscimo, ao nome de franciscanas, o título de “Penitentes”.

Irmã Joana sempre teve, também, a necessidade do recolhimento interior e exterior, isto é, ser uma pessoa recolhida. Pois, quem vive no toque ou a partir de um grande amor, deseja, acima de tudo e de todos, estar unido intima e profundamente ligado, interior e exteriormente, a essa pessoa. Daí, juntamente com as duas palavras anteriores, veio associar-se a palavra “Recoletinas”.

Franciscanas Penitentes Recoletinas. Eis o nosso nome, nosso carisma, a graça, o dom, o talento que o bom Senhor semeou naquele regaço para que, desenvolvendo-o, pudessem colaborar na construção de seu Reino no meio dos homens. Com o passar dos anos, foi acrescentado ao nome das Franciscanas Penitentes Recoletinas a palavra Oirschot. Por quê? Com a Revolução Francesa, as Irmãs tiveram que fugir de Weert, onde seus bens foram confiscados pelas tropas de Napoleão. Sem rumo e sem saberem para onde irem, um parente de umas das Irmãs na clandestinidade, ofereceu-lhes uma pequena e modesta casa em Oirschot. Isso aconteceu em 1797. Hoje essa casa para nós na Holanda, é um verdadeiro centro de Espiritualidade, onde sempre buscamos força, inspiração, além do grande valor histórico e cultural.

Desde o começo, nossa vocação de Franciscanas Penitentes Recoletinas sempre primou, conseqüentemente, pelo cultivo de uma vida recolhida, enclausurada e silenciosa. Não se trata, porém, de um recolhimento ou clausura meramente físico-geográfico, mas antes, de um estado de espírito, de alma: garantir uma profunda comunhão com Jesus Cristo, nosso esposo divino, com o nosso pai São Francisco de Assis.

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